29 agosto 2015

Sobre não precisar


Certas perguntas internas parecem sem resposta, para quem se recusa a enxergar.

Em todos os meus relacionamentos que terminaram, eu sentia uma dívida emocional do parceiro. Com exceção de um. O virginiano do Paraná : Foi o único que fez mais por mim que eu por ele.

Talvez por já ter a mente formada, por já ter sido casado a ponto de morar junto, etc... o fato é que ele não precisava tanto de mim. E como várias pessoas me alertaram, eu tenho uma síndrome de super herói. Quando não há ninguém ou algo a ser salvo, eu meio que perco a serventia.

Isso explica minha quase que obsessão por pessoas problemáticas emocionalmente. Era um tal de não se aceitar como gay, um outro que fugia da família como diabo foge da cruz e que depois queria voltar pra terra natal... tinha também o apegado demais aos parentes, a ponto de querer passar final de semana na casa da " dinda " ( Ic ! ). E até a menina tinha problemas mal resolvidos por ter perdido o pai muito cedo. Nem meu atual escapa muito disso, com dificuldades de terminar os estudos e problemas familiares seríssimos.

É aí que eu acho engraçado ao lembrar que o Otávio não tinha nada disso. Era perfeitinho demais. A ponto de estar quase concluindo a faculdade, jogar volei e participar de um grupo de canto bem cult. Hoje eu entendo que meu sensor apitou, instintivamente... dizendo : Fuja ! Esse cara não precisa de você. Ele já é completo ! Fuja, antes que ele te chute e você perca quem realmente precisa ser salvo.

Fugi. Mas quem eu fui salvar não queria ser salvo. Na verdade, só fui reconhecido como herói pelo meu atual, que sabe essa história toda e acha até divertido.

Mas ser herói tem lá seu preço. Hoje em dia, me permito também ser salvo, de vez em quando.


22 maio 2015

Amor e solitude [ Trecho ]




12 maio 2015

Banal


Nesses últimos anos de mudanças de pensamento, eu tenho dado muito valor a ficar quieto, sem fazer nada. 

Nada mesmo.

De ficar deitado, olhando pro teto ou mesmo no chão. 
Nem sequer uma música, um livro.
Um completo nada, desacelerando os pensamentos.

Porque é impossível ver nosso reflexo na água corrente.
Na água parada conseguimos ver nossa imagem refletida.
Nos pensamentos, é parecido.
Não podemos enxergar quem somos com essas enxurradas de pensamentos !
A vida anda muito acelerada e não podemos entrar nesse ritmo, acreditando ser normal.

Como estamos em constante mutação, antes do nada, eu quis fazer muitas coisas úteis. Agora, depois do nada, estou me voltando para as banalidades. Como rever uma série ou ir ao cinema sozinho.


19 abril 2015

Simplesmente o Sol


Por mais que eu tente fugir do passado, ele acaba meio que batendo na minha porta. Ontem aconteceu um fato inusitado. Tive acesso à foto de formatura do garoto que conviveu comigo durante 7 anos.


Concordo que ele nunca foi lá fotogênico, mas a expressão de tristeza me atingiu. Na verdade, por conta do maldito ego, eu sempre achei que pudesse resolver tudo e se algo desse errado, foi por omissão minha. Não penso mais assim.

Sabe aquele dito popular ? Cada um carregue sua cruz ? É por aí... eu passei a vida inteira carregando a cruz de várias pessoas e me descuidei da minha. Não que eu tenha deixado de lado a síndrome de super herói. Está na minha essência, mas acho que mexer no que tá quieto só iria atrapalhar. É como deixar a lagarta sair do casulo sozinha, para que suas asas nasçam fortes e perfeitas.

Ainda assim, a curiosidade matou o gato. Tenho uma turma de amigas quase médiuns, de tão sensitivas. Uma delas abriu um portal de conexão, só de ver a foto dele. Acredite quem quiser. E sentiu angústia, medo e vontade de desistir. Perguntei se tinha a ver comigo, foi automático. Ela disse que somente uma parte. Mas que ele deveria pedir ajuda por si só. Não seria permitido ajuda externa se ele estivesse " fechado ".

Me dei conta que eu não poderia fazer nada, mesmo estando perto. Não sou ninguém. Não tenho super poderes, como achava que tinha na minha juventude. Surgiu uma imensa vontade de ajudar. De aparecer na casa dele, de surpresa, pra conversar. Mas não imagino a reação dele. Triste constatar que em todo esse tempo não seja suficiente pra sabermos a reação do outro em uma ocasião como essa.

Já no final do relacionamento, eu notei uma melhora na auto estima dele. Não se achava bonito, apesar de todos acharem. Eu repetia diversas vezes, mas era algo dele mesmo. Não ia mudar.

Reparei num detalhe que nunca tinha reparado. O sol fazia parte da nossa rotina. Desde que nos conhecemos, tínhamos o costume de ir à praia, caminhar, conversar lá, etc. Com o tempo, passamos a nos recolher dentro de lugares fechados. Coincidência ou não, nosso relacionamento murchou, como uma planta sem sol.

E ele é o próprio sol. 
Tem brilho próprio.

Quando namorávamos, eu... na minha escrotice, queria que ele brilhasse só pra mim. Brilhou por muitos anos aos olhos de quem o amava. Pois bem, o amor acabou... por completo. A vida continua, até por eu não ser ninguém. Assim como eu tenho tentado seguir em frente, seria legal você tentar também. O caminho é tortuoso, mas não queria te ver assim. Quero a tua força como era antes.


Isso não é da minha conta, provavelmente nunca foi. Mas eu tinha que falar. Não reprima o Sol. Aceite-o. Ele te dará forças. Abra as cortinas.





Salve, Laura.



11 abril 2015

Opostos


Eu perdi a esperança em compreender o comportamento. Tenho observado e me afastado, na maioria das vezes.

Fiquei boa parte das minhas férias isolado, no meu quarto. Em silêncio, em paz. O contato humano desgasta bastante. Por diversas vezes desliguei os telefones e até mesmo o relógio. 

Me vi obrigado a voltar pra realidade. Ser usuário do transporte público no Rio de Janeiro me faz com que eu presencie certas atitudes que eu preferiria fechar os olhos.

Hoje mesmo, eu vi uma cena comovente e rara. Um garoto de aparentemente 9 anos, abraçado com o pai. Roçando na barba dele, apertando mesmo. Fiquei olhando. Não tinha como não olhar... isso se tornou raro. Enquanto eu olhava, ouvi uns cochichos... uma senhora disse que o garoto era gay, por abraçar o pai... outra disse que o pai devia ter abusado dele e ambos gostaram. 

- O que é isso, gente ? - pensei , mas preferi me calar...

Um outro ponto é sobre as opiniões divergentes. As pessoas estão negando o oposto ao ponto de querer eliminá-lo. Qual o mal existente no pensamento contrário do outro ? Ainda mais quando a pessoa nem convive contigo ? Deixe que o outro discorde. O problema é quando o outro tenta te convencer a mudar de opinião.

Falo isso, porque entrei em certas conversas que viraram debates sobre feminismo. Um assunto chato e polêmico. Certas pessoas se acham literalmente as donas da verdade sobre o assunto e quando vêem outra opinião, acusam a pessoa de ignorância e de não ter pesquisado direito. E haja sermão recheado de termos técnicos. Cara, você não me disse nada que eu não soubesse. Mas tenho a minha opinião. A diferença é que você mantendo ou mudando a sua não vai alterar em nada a minha vida. Entende ? O ser humano busca incessantemente a concordância. Algo ridículo, intuitivo e infantil. O ego se vangloria da concordância, crendo que ela serve como base.

Eu penso assim : Se eu creio que a minha opinião é certa, nada que vier de fora vai aumentar minha certeza. Quando vier algo de dentro, eu poderia sim, hesitar e reconsiderar.

E desse jeito, eu afastei muita gente. Alguns se afastaram voluntariamente, outros eu não suportei mais... enquanto alguns continuam por perto, mesmo sem concordar com nada. 

Negar o oposto não vai resolver nada.

Basta por hoje.




31 dezembro 2014

Adeus, 2014...



E lá vamos nós ! 
Senhora, pague os 50 centavos e terá sua vassoura ...



Enfim... 2014 acabou. Pra alguns, uma boa desculpa pra beber, comer ou festejar. Prefiro o recolhimento e a reflexão. O que deu certo e o que deu errado ? Parece que pra isso temos essa noção do tempo... quando muda-se a numeração do ano, temos a sensação de dar um passo a frente nas nossas vidas.

O que deu errado ? Pois bem...


  1. Tentei por diversas vezes conseguir um advogado trabalhista decente para resolver uma pendência com uma antiga empresa. Só encontrei picaretas e caí fora antes que me enganassem. Em 2015, preciso encontrar um.
  2. Administração do tempo : Em 2014, procrastinei mais que nos anos anteriores. Deixei tudo pra amanhã, na maioria das vezes. Gostaria de ter aproveitado mais meu tempo para leitura, exercícios e meditações.
  3. A mudança no meu local de trabalho me desgastou bastante.Primeiramente, porque gastei muita energia durante meses, tentando resistir. Depois, pela distância entre o novo local e minha residência. A adaptação foi lenta. 
  4. No início do ano, houve um término de relacionamento que me feriu bastante. Fiquei alguns dias fora de órbita. Mas permanecer, seria adiar sofrimentos posteriores. Minha natureza não é de misturar relacionamentos com família. Cada um no seu canto.
  5. Me afastei de muitos que considerava meus amigos. A partir do momento em percebi que meu esforço pra manter a amizade não era recíproco, preferi me poupar. Não tenho dificuldade em fazer novos amigos, quando quero. Optei por ter por perto pessoas que condizem com o que sou e preciso hoje. Amizade nada mais é do que um conjunto de interesses em comum : Quando isso acaba, é necessário um esforço sobre humano pra mantê-la.

O que deu certo !

  1. Conhecer meu amorzinho em abril, após um março extremamente conturbado. Minha vida criou novo rumo. Eu precisava fazer a diferença na vida de alguém e ser reconhecido por isso. Isso aconteceu e me realizou.
  2. Passei a notar a importância do silêncio e o poder de cura que ele tem sobre mim. Me recolho nele, ao menos uma vez ao dia. O cotidiano anda muito barulhento e a nossa mente também é, mesmo quando estamos calados. Cultivar o silêncio pleno me fez descansar de verdade.
  3. A amizade com a Sonia e outras terapeutas holísticos fez eu me aprofundar no sentido de reparar nas energias externas e internas a meu redor. Passei a notar os sinais que a raiva deixava no meu corpo e tentei administrá-los. Objetivei algo que o Professor Xavier disse ao Magneto uma vez : Concentrar-se no ponto entre a raiva e a serenidade ! Porque nenhum dos dois, em excesso, nos leva a lugar algum.
  4. A égua do Adulto Emergente e a baiana Lazarenta me alegraram bastante, tendo me ouvido em momentos chatos do meu ser. Eles estão na minha lista do que deu certo. Se mostraram presentes, mesmo estando no Amapá e na Bahia.
  5. Fidelidade : Esse ano eu parei quieto, isso eu posso afirmar. Do Índio, pro meu Lord e nada além disso. Por mais que tenham aparecido várias tentações, nesse 2014 eu soube resistir. Fui hiper monogâmico, não tendo dado aquelas escapadinhas nem quando parecia que tinha terminado o namoro.
That'all. 
Feliz ano novo para quem passa por aqui.


01 setembro 2014

Asas





A borboleta no casulo

Um dia, uma pequena abertura apareceu em um casulo; um homem sentou e observou a borboleta por várias horas, conforme ela se esforçava para fazer com que seu corpo passasse através daquele pequeno buraco.
Então  pareceu que ela havia parado de fazer qualquer progresso.

Parecia que ela tinha ido o mais longe que podia, e não conseguia  ir  mais. Então o homem decidiu ajudar a borboleta: ele pegou  uma tesoura e cortou o restante do casulo.  A borboleta então saiu  facilmente. Mas  seu corpo estava murcho e era pequeno e tinha as asas  amassadas.
O homem continuou a observar a borboleta porque ele esperava  que, a qualquer momento, as asas dela se abrissem e esticassem para  serem  capazes de suportar o corpo que iria se afirmar a tempo.

Nada aconteceu! Na verdade, a borboleta passou o resto da  sua vida rastejando com um corpo murcho e asas encolhidas. Ela nunca foi capaz de voar. O que o homem, em sua gentileza e vontade de ajudar não compreendia, era que o casulo apertado e o esforço necessário à borboleta para  passar através da pequena abertura era o modo com que a natureza fazia com  que o fluido do corpo da borboleta fosse para as suas asas, de modo que ela estaria  pronta para voar uma vez que estivesse livre do casulo.

Algumas vezes, o esforço é justamente o que precisamos em nossa vida. Se passássemos esta nossa vida sem quaisquer obstáculos, nós não iríamos ser tão  fortes como poderíamos ter sido.


03 junho 2014

A origem [ Final ]


O mundo dos sonhos. Frequentemente nos meus sonhos, o meu passado surge, como que pedindo ajuda. Quer que eu sinta pena dele, por ter seguido em frente, sem olhar pra trás.

Só tenho a dizer a ele que não pretendo voltar. Meu valor está no presente. O presente faz com que eu me sinta vivo, amado, único. O passado só me deu valor quando notou que eu não estava lá.

Sinto pena de você, que não tem estrutura psicológica e literalmente " paga pra ver " a reação de pessoas com muito mais personalidade. O resultado será sempre o mesmo. Frustração, isolamento e angústia.

O sonho terminou com o passado apontando uma arma pra mim. Não pensei duas vezes e atirei nele, furiosamente. Foram três tiros no coração. Que sirva de lição por ter me importunado.


Quando eu lhe dei meu melhor vinho, você cuspiu
Quando eu lhe dei meu melhor sorriso,você fingiu que não viu

Mas agora vá viver nesse poço escuro
De uma dor sem fundo
Porque eu não tenho tempo de errar
Todos os erros do mundo




25 outubro 2013

Confiar ou não ?


Admiro demais as pessoas que confiam cem por cento em alguém ou em alguma coisa. Eu posso até tentar, mas parece que é da minha natureza não acreditar. Não posso afirmar, mas talvez isso me poupe de algumas frustrações ao desconfiar, de maneira preventiva. 

É claro que eu me policio para que não seja algo doentio: estou sempre procurando disfarçar essa desconfiança, para que não se torne algo insuportável. Quando não dá mais pra continuar, eu prefiro abrir o jogo : Não confio mais em você. Confiança é o principal de uma relação. A falta dela, acaba por corroer todo o resto.

Discordo de quem diz que a insegurança é uma sensação em por cento interna. Pode ser, mas não totalmente. O outro lado da relação também é responsável por aumentar o nível de desconfiança com comportamentos suspeitos e impróprios. 

Hoje, eu confio, desconfiando ao mesmo tempo. Confiar totalmente ? Nem na minha própria sombra. 

Esse vídeo me inspirou a escrever este post. Será que nossa sombra nos reflete totalmente ?




18 julho 2013

Pense e respire...





Pra ouvir e refletir...
Pensar... como chegamos até aqui...
O que aprendemos ?
Com nossos erros, com nossos acertos...
Todos eles fizeram o que somos hoje...
Lembre da sua trajetória...
Se quiser sorrir, sorria...
Se quiser chorar, chore...
Mas apenas... permita-se...
Ser o que é !


Esse é Bach, o meu deus da música e que me permite, diariamente, ter momentos de reflexão e inspiração.


Tecnologia do Blogger.