19 abril 2015

Simplesmente o Sol


Por mais que eu tente fugir do passado, ele acaba meio que batendo na minha porta. Ontem aconteceu um fato inusitado. Tive acesso à foto de formatura do garoto que conviveu comigo durante 7 anos.


Concordo que ele nunca foi lá fotogênico, mas a expressão de tristeza me atingiu. Na verdade, por conta do maldito ego, eu sempre achei que pudesse resolver tudo e se algo desse errado, foi por omissão minha. Não penso mais assim.

Sabe aquele dito popular ? Cada um carregue sua cruz ? É por aí... eu passei a vida inteira carregando a cruz de várias pessoas e me descuidei da minha. Não que eu tenha deixado de lado a síndrome de super herói. Está na minha essência, mas acho que mexer no que tá quieto só iria atrapalhar. É como deixar a lagarta sair do casulo sozinha, para que suas asas nasçam fortes e perfeitas.

Ainda assim, a curiosidade matou o gato. Tenho uma turma de amigas quase médiuns, de tão sensitivas. Uma delas abriu um portal de conexão, só de ver a foto dele. Acredite quem quiser. E sentiu angústia, medo e vontade de desistir. Perguntei se tinha a ver comigo, foi automático. Ela disse que somente uma parte. Mas que ele deveria pedir ajuda por si só. Não seria permitido ajuda externa se ele estivesse " fechado ".

Me dei conta que eu não poderia fazer nada, mesmo estando perto. Não sou ninguém. Não tenho super poderes, como achava que tinha na minha juventude. Surgiu uma imensa vontade de ajudar. De aparecer na casa dele, de surpresa, pra conversar. Mas não imagino a reação dele. Triste constatar que em todo esse tempo não seja suficiente pra sabermos a reação do outro em uma ocasião como essa.

Já no final do relacionamento, eu notei uma melhora na auto estima dele. Não se achava bonito, apesar de todos acharem. Eu repetia diversas vezes, mas era algo dele mesmo. Não ia mudar.

Reparei num detalhe que nunca tinha reparado. O sol fazia parte da nossa rotina. Desde que nos conhecemos, tínhamos o costume de ir à praia, caminhar, conversar lá, etc. Com o tempo, passamos a nos recolher dentro de lugares fechados. Coincidência ou não, nosso relacionamento murchou, como uma planta sem sol.

E ele é o próprio sol. 
Tem brilho próprio.

Quando namorávamos, eu... na minha escrotice, queria que ele brilhasse só pra mim. Brilhou por muitos anos aos olhos de quem o amava. Pois bem, o amor acabou... por completo. A vida continua, até por eu não ser ninguém. Assim como eu tenho tentado seguir em frente, seria legal você tentar também. O caminho é tortuoso, mas não queria te ver assim. Quero a tua força como era antes.


Isso não é da minha conta, provavelmente nunca foi. Mas eu tinha que falar. Não reprima o Sol. Aceite-o. Ele te dará forças. Abra as cortinas.





Salve, Laura.



4 Comments:

Paulo Roberto Figueiredo Braccini - Bratz said...

não mexa com o passado ... isto não é coisa boa ... cuide de sua vida ...

Wildeman said...

Deixei quieto. Não agi, não mexi... só desabafei aqui. Existe uma possibilidade de ele ler, mesmo que remota. Aí eu me sentiria bem melhor.

Homem, Homossexual e Pai said...

lindo texto, tao poetico, tão carinhoso, achei lindo, me pareceu um resgate que precisava ser feito! parabens

Ex-Namorado said...

Concordo consigo, cada um com a sua cruz, verdade... mas é verdade também que por vezes ficamos amarrados a pessoas e situações que pensamos que podemos fazer a diferença e apenas nos estamos a matar por dentro. Ter noção do que nos faz bem ou mal, é fundamental.

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