" Precisamos pagar pela imortalidade e morrer várias vezes enquanto estamos vivos. "
Nietzche
Minha última morte, foi após uma desilusão destruidora, no final de 2012. A mudança foi tanta, que eu não me via mais no meu até então blog e resolvi criar este.
Talvez eu possa criar outro ou até mesmo parar. Só o tempo dirá como vou reagir a esta nova fase.
" Caminhando e cantando e seguindo a canção Somos todos iguais braços dados ou não Nas escolas, nas ruas, campos, construções Caminhando e cantando e seguindo a canção Vem, vamos embora, que esperar não é saber, Quem sabe faz a hora, não espera acontecer "
Certas perguntas internas parecem sem resposta, para quem se recusa a enxergar. Em todos os meus relacionamentos que terminaram, eu sentia uma dívida emocional do parceiro. Com exceção de um. O virginiano do Paraná : Foi o único que fez mais por mim que eu por ele. Talvez por já ter a mente formada, por já ter sido casado a ponto de morar junto, etc... o fato é que ele não precisava tanto de mim. E como várias pessoas me alertaram, eu tenho uma síndrome de super herói. Quando não há ninguém ou algo a ser salvo, eu meio que perco a serventia. Isso explica minha quase que obsessão por pessoas problemáticas emocionalmente. Era um tal de não se aceitar como gay, um outro que fugia da família como diabo foge da cruz e que depois queria voltar pra terra natal... tinha também o apegado demais aos parentes, a ponto de querer passar final de semana na casa da " dinda " ( Ic ! ). E até a menina tinha problemas mal resolvidos por ter perdido o pai muito cedo. Nem meu atual escapa muito disso, com dificuldades de terminar os estudos e problemas familiares seríssimos. É aí que eu acho engraçado ao lembrar que o Otávio não tinha nada disso. Era perfeitinho demais. A ponto de estar quase concluindo a faculdade, jogar volei e participar de um grupo de canto bem cult. Hoje eu entendo que meu sensor apitou, instintivamente... dizendo : Fuja ! Esse cara não precisa de você. Ele já é completo ! Fuja, antes que ele te chute e você perca quem realmente precisa ser salvo. Fugi. Mas quem eu fui salvar não queria ser salvo. Na verdade, só fui reconhecido como herói pelo meu atual, que sabe essa história toda e acha até divertido. Mas ser herói tem lá seu preço. Hoje em dia, me permito também ser salvo, de vez em quando.
Hoje é dia dos pais. Saí pra almoçar junto com meu pai. Aquela socialzinha de leve, mas me lembrando que hoje não era simplesmente um dia para os pais. Por mais de sete anos, eu convivi com ele nesta data ( Nove de agosto ). Do aniversário de 21 anos, até o aniversário de 28. No de 22 anos, eu me lembro que fiz um rateio na loja... pra comprar uma torta. Ele nem sabia que a idéia foi minha. Na época, ele namorava com um amigo meu, que também trabalhava lá. Após o niver de 23 anos, já estávamos namorando. Sempre gostei de paparicar nesta data, com pequenos presentes. Geralmente montava kits e me animava bastante. Ele nunca deu muita importância a datas e isto me frustrava um pouco. Em algumas oportunidades, esta data coincidia com o dia dos pais e eu tinha que me redobrar. Mas eu nunca deixava passar em branco. No último aniversário, o de 28 anos, nós já estávamos separados... após 5 anos de namoro e 2 de amizade. Mesmo assim, tentávamos manter contato. A tempo de o presentear com um pequeno amuleto, para lhe dar energia pra seguir em frente com sua vida. Por essas e outras, é que neste mês de agosto eu me lembro da última vez que nos vimos. Ele tentou a todo custo a separação amigável, mas tempos depois eu neguei. Fomos a lugares que ele adorava, com o Jardim Botânico e até mesmo continuávamos a ficar, mas com proteção. Depois deste último dia, ele me disse que eu estava mais " leve " em termos de personalidade e menos implicante. Os elogios dele eram assim... Rs. Enfim, hoje é o aniversário dele de 30 anos. Não nos falamos mais, por culpa minha, mas deixo aqui um voto de felicidade, saúde, respeito e gratidão. É uma idade que nos leva a repensar nossos caminhos. Sei, porque atingi esta marca em março recente. E a vida segue em frente ! OBS : A foto era de um leão de pelúcia que dei de presente, fazendo alusão ao namorado leonino. OBS 2 : Neste post não haverão comentários, por ser apenas uma homenagem a meu primeiro namorado. Nos próximos, voltamos ao normal. Inclusive, este é o post do último sábado : http://tempestade85.blogspot.com.br/2015/08/dormir-junto.html
Quem quiser falar comigo, fique à vontade no doug.tempestade@gmail.com
Por mais que eu tente fugir do passado, ele acaba meio que batendo na minha porta. Ontem aconteceu um fato inusitado. Tive acesso à foto de formatura do garoto que conviveu comigo durante 7 anos.
Concordo que ele nunca foi lá fotogênico, mas a expressão de tristeza me atingiu. Na verdade, por conta do maldito ego, eu sempre achei que pudesse resolver tudo e se algo desse errado, foi por omissão minha. Não penso mais assim.
Sabe aquele dito popular ? Cada um carregue sua cruz ? É por aí... eu passei a vida inteira carregando a cruz de várias pessoas e me descuidei da minha. Não que eu tenha deixado de lado a síndrome de super herói. Está na minha essência, mas acho que mexer no que tá quieto só iria atrapalhar. É como deixar a lagarta sair do casulo sozinha, para que suas asas nasçam fortes e perfeitas.
Ainda assim, a curiosidade matou o gato. Tenho uma turma de amigas quase médiuns, de tão sensitivas. Uma delas abriu um portal de conexão, só de ver a foto dele. Acredite quem quiser. E sentiu angústia, medo e vontade de desistir. Perguntei se tinha a ver comigo, foi automático. Ela disse que somente uma parte. Mas que ele deveria pedir ajuda por si só. Não seria permitido ajuda externa se ele estivesse " fechado ".
Me dei conta que eu não poderia fazer nada, mesmo estando perto. Não sou ninguém. Não tenho super poderes, como achava que tinha na minha juventude. Surgiu uma imensa vontade de ajudar. De aparecer na casa dele, de surpresa, pra conversar. Mas não imagino a reação dele. Triste constatar que em todo esse tempo não seja suficiente pra sabermos a reação do outro em uma ocasião como essa.
Já no final do relacionamento, eu notei uma melhora na auto estima dele. Não se achava bonito, apesar de todos acharem. Eu repetia diversas vezes, mas era algo dele mesmo. Não ia mudar.
Reparei num detalhe que nunca tinha reparado. O sol fazia parte da nossa rotina. Desde que nos conhecemos, tínhamos o costume de ir à praia, caminhar, conversar lá, etc. Com o tempo, passamos a nos recolher dentro de lugares fechados. Coincidência ou não, nosso relacionamento murchou, como uma planta sem sol.
E ele é o próprio sol.
Tem brilho próprio.
Quando namorávamos, eu... na minha escrotice, queria que ele brilhasse só pra mim. Brilhou por muitos anos aos olhos de quem o amava. Pois bem, o amor acabou... por completo. A vida continua, até por eu não ser ninguém. Assim como eu tenho tentado seguir em frente, seria legal você tentar também. O caminho é tortuoso, mas não queria te ver assim. Quero a tua força como era antes.
Isso não é da minha conta, provavelmente nunca foi. Mas eu tinha que falar. Não reprima o Sol. Aceite-o. Ele te dará forças. Abra as cortinas.
Eu era um tolo quando achava que ele deveria entender. Esta data é apenas minha. Hoje é dia 27 de janeiro. Meu dia oficial de saída do armário. Há sete anos, eu tomava uma decisão que mudaria o rumo da minha vida. Junto com ela, um processo de aceitação de todo um ser. A cada ano que passa, eu vejo essa data como um marco. Seria muito fácil e cômodo permanecer agradando a todos, mas sendo infeliz. A maioria escolhe esse caminho. Escolhi viver... e não me arrependo. Não sou o mesmo de sete anos atrás. Envelheci... e isso não me incomoda faz tempo... o que me deixa incrivelmente satisfeito. Creio que aquele que não envelhece, é porque não viveu ou não foi o protagonista da própria vida. Optei por me arriscar, por fazer acontecer... por chorar, por rir, por dar ouvidos aos meus instintos. Passei anos ligando essa data ao meu primeiro namorado, o que foi um grande equívoco. Ele apenas se deixou levar, mas não construiu nada. Cheguei a conclusão que essa data é apenas minha, até porque dissemos que começamos a namorar nesse dia, mas nem havíamos nos beijado. Ano passado, no primeiro dia 27 de janeiro sem ele, confesso que tive um pequeno surto. Meu namorado na época, trabalhava demais e eu acabava ficando sozinho na maioria do tempo. Acabei indo para um cantinho que me trazia lembranças do meu number one e o pior : tentei ligar pra ele. Por sorte, ele não atendeu e me poupou de uma cena patética. Hoje, é o segundo dia 27 sem ele. O tempo não perdoa. Dois anos já se passaram. O que mudou ? Ando bem mais na minha. Verei um filme, em casa, e pedirei pra minha mãe fazer um mingau que só ela sabe fazer.
Depois, vou planejar o final de semana com meu amado virginiano.
Ah... envelhecer é até nobre, mas vou continuar usando meu anti rugas... vai que ?
O Jardim Botânico. Talvez o meu grande porto seguro no RJ. Um lugar que me traz paz e harmonia, mas ao mesmo tempo grandes lembranças de tempos felizes.
Há anos eu planejava levar uma tia querida nesse lugar. Ela ama plantas e passeios. Consegui convencê-la a ir no aniversário do último domingo. Ela fez 72 anos e conseguiu andar bastante no passeio.
Em todas as vezes que fui... sozinho ou com o índio, eu evitava essa parte em especial : o bromeliário. Era um lugar que meu number 1 gostava muito e onde tiramos várias fotos, que foram até pra um porta retrato em um cantinho nosso.
Quando entrei lá, depois de anos, as lembranças transbordaram... olhei pro vazio e me isolei. Fiquei pensando nos momentos por alguns instantes. Tudo estava vivo e intacto na minha mente.
Depois, o passeio continuou e levei-a pra um rodízio de pizzas que eu amo, no Lgo do Machado. Ela adorou tudo. Uma demonstração de afeto por uma tia que sempre fez de tudo por mim e continua fazendo. Ela é muito simples e se doa muito, esquecendo até de si própria na maioria das vezes.
Mas foi um contraste entre a alegria e a tristeza nesse dia. Pretendo enfrentar esse lugar mais vezes, pra chegar ao ponto de eu não me importar mais com um lugar ou outro.
Isso acontece com vocês ? Algum lugar lembra tanto alguém que vocês chegam a evitá-lo ? Ou é só uma neura minha ? Rs
Nesse feriadão, aproveitei pra rever o filmaço chamado " A origem ". Cada pessoa vê de uma maneira diferente o filme que fala dos sonhos ( e do poder deles ) e da fuga da realidade. O personagem do Leonardo Di Caprio sente culpa pela ex-mulher. Ela acabou se matando por uma idéia que ele " plantou " na mente dela, durante um sonho. Pra compensar, ele vive com ela em um limbo, numa espécie de realidade paralela, em que ela ainda vive e eles estão juntos. Mas que profundo. Acho que o criador do filme foi longe. Muitas pessoas passam por isso e eu me incluo nesse grupo. Volta e meia, eu me vejo envolto em pensamentos obsessivos sobre meu grande amor. Como se eu tivesse sido o responsável pela morte da relação. Sentimento de culpa mesmo... que me levarão de volta ao divã de um psicólogo. Se não der certo, vou em um psiquiatra mesmo... e por aí vai. Não vejo problema nenhum nisso. Sinceramente, não sei o que é pior. Perder um grande amor para a morte ou vê-lo vivo e feliz enquanto vagamos no afã de tentar consertar os erros cometidos. É só uma tentativa. Ainda tenho lucidez o bastante para ter certeza disso. Ele não fala mais comigo. Como se tivesse morrido. Pensei em aparecer de surpresa em lugares que ele esteja, mas o medo me paralisa. Não saberia a reação dele. Vivi anos ao lado de alguém que na verdade eu não conheço. Revi umas fotos de uma viagem à Paraty e vi que ali era meu oásis. O lugar que mais me trouxe paz... até porque eu estava bem e feliz com ele. A felicidade que almejo se parece com aquela. Eu sabia que era feliz, mas faltava maturidade pra manter isso. E ainda falta. Todos os relacionamentos que tive depois disso foram apenas sombras. Não me dedicava o suficiente por ainda estar preso a um sentimento. Recebi vários conselhos do tipo " Entregue-se " . Não consegui. Em todas as conversas com amigos, volta e meia falo dele. Queria parar. Ele sequer lembra que eu existo e se bobear esqueceu de tudo o que passamos. Me sinto de mãos atadas.
" Estou pedindo a ele que mude seus modos. E nenhuma mensagem poderia ser mais clara. "
( Trecho de " Man in the mirror " - Michael Jackson )
Hmm... já chega, né ? Essa experiência de ter um relacionamento com o espelho deu o que tinha que dar. Não foi nada agradável. Praga de ex é foda.
Imagine ter uma relação com alguém que tem EXATAMENTE as mesmas características que você ?
No começo é bonitinho... rende várias risadas... mas depois, se torna insuportável. As forças e vontades acabavam se anulando e se repelindo. Sensação hiper estranha.
Ele era como eu, há 6 anos atrás. Com muita vontade, mas sem conhecimento suficiente pra aplicá-la. Tipo uma lata de refrigerante... aquele gás quando se abre... então ! Mas quando o gás acaba, o gosto é ruim.
Suportei essa situação durante dois meses. Exatos. Foi um grande desafio, lidar com as características em comum. Muito mais difícil que lidar com as diferenças ! Isso eu lhes garanto. Porque dependendo da diferença, ela nos complementa.
Chegamos num ponto em que o atrito chegou num nível insuportável. As brigas estavam apagando os bons momentos que tivemos. Resolvi dar um basta.
Foram vários momentos bons. Diria que inesquecíveis. Mas eu não me via com ele daqui a alguns anos. Não quero uma relação em que eu tenha que ensinar o óbvio. Que tenha que cobrar o que é meu de direito. Quero alguém que tenha o mínimo de bom senso, sobre como se comportar.
A experiência, eu levarei pra sempre. Atitudes que ele tinha comigo, eu costumava ter. E sempre que eu pensar em agir assim, vou lembrar dele e ter certeza que isso irritaria até a mim ! Certas lições, só aprendemos na prática. Fato !
Uma gaveta bagunçada. Quem nunca teve uma assim ? Aquela que juramos todos os dias arrumar, mas sempre deixamos pra lá. E nela se acumulam pequenos objetos, que com o tempo até nos esquecemos que ainda existem, tamanha é a bagunça no interior da gaveta.
Sim, eu tenho uma assim. Fiquei meses sem mexer nela. Resolvi me aventurar nela nesses dias. Papéis de ingressos de shows, filmes, peças. Pra quê guardar ?
Olhando pra cada um, me lembrei dos momentos de cada evento. Que bom, mas joguei fora. Um VHS ! Nem uso mais... lixo ! Meu carregador de celular reserva ! Te achei. Que bom.
Bem no fundo da gaveta, um envelope minúsculo e colorido. Não acredito que ele ainda está ali ! Aham... eu e minha mania de guardar tudo ! Agora aguente, Douglas.
Não vou abrir.
Mas por que não ? Eu já sei o que está escrito !
Pra piorar, ainda tinha uma foto 3x4 dele dentro do envelope. Torturante.
Escrevi dezenas de cartas, cartões de amor, com mensagens lindas nos últimos 6 anos. Ele nunca escrevia nada. Era tímido. Mas escreveu esse. E guardei, como se fosse um tesouro, na ocasião. Não era nenhum evento. Ele apenas me deu esse cartão. Nele estava escrito :
Esta é uma pequena lembrança do meu amor por você.
Sinto saudades !
De quem te ama.
Não deu tempo de pensar em nada... as lágrimas caíram como uma cachoeira. Lágrimas quentes, por sinal. Essas pequenas lembranças me fazem lembrar de tudo, devido à minha memória fotográfica. Foram 7 anos de convivência, 5 desses, namorando. Isso não se apaga da noite pro dia. Não pra mim.
O que ficou ? Um contraste entre a frustração de não ter dado certo e a certeza de ter feito de tudo. E uma dúvida : O que é pior ? Ter deixado de se doar e ver um grande amor passar ou se doar ao máximo e se sentir incapaz perante os acontecimentos ? Nunca tive essa resposta e nem espero ter. Não mais.
Venci meu maior medo. Eu passei muito tempo com a certeza de que quando ele estivesse com outro, seria algo que eu não iria suportar. Me destruiria por dentro. Sobrevivi. E saí fortalecido. Aliviado, de certa forma.
Não tenho a maturidade suficiente pra lhe desejar sorte no novo namoro. Seria muito hipocrisia da minha parte. Não desejo nem um pouco.
Só quero agradecer os momentos bons em que passamos, nessa quase meia vida, que vivemos juntos. Ao menos isso, eu consigo.
OBS: No meio da choradeira, acabei desabafando com o Edu, tadinho.
Já não é a primeira vez que isso acontece. Conheci um libriano e gostei muito. Mas não passou de um mês. Somos opostos. Reparei nisso, desde o início... e mesmo assim, resolvi tentar. A alegria deste último, em especial, me contagiava.
Conversava olhando nos meus olhos, fixamente. Beijava, sorrindo... como eu nunca tinha visto antes.
Estava em uma busca incessante pelo equilíbrio. Se cobrava demais. Você tem apenas 21 anos, eu repetia frequentemente. Vá com calma. Mas entrava por um ouvido e saía pelo outro. Rs.
Nos conhecemos em pleno inverno. Temperatura agradável. E a presença dele era como uma brisa, aliviando minhas feridas recém cicatrizadas.
Falava, falava e falava... mais que eu... acreditem... rs. E eu me interessava em ouvir os detalhes da história dele. Fazia questão de se taxar como problemático e que eu deveria manter uma certa distância dele. Mal sabia que eu tenho uma tara enorme por pessoas assim... que precisam "ser salvas ", de alguma forma.
As conversas duravam horas. Ele se sentia hiper à vontade de me contar sobre sua vida e aos poucos fui abrindo a Caixa de Pandora pra ele também, que fazia questão de saber. Me olhava nos olhos e dizia que eu estava omitindo fatos do meu passado. Cheguei a passar o link do meu antigo blog, como voto de confiança. Ele gostou.
Teve cineminha, com direito a cinco minutos pra escolher um sabor de pipoca de microondas. Como é indeciso ! Pensei. Eu escolheria em menos de três segundos ! Rs.
Desmarcou alguns encontros comigo, por dormir demais. Exercitei minha paciência, de maneira mais frequente. Estava explodindo de raiva, mas resolvia respirar fundo. Num desses dias em que eu fui paciente, nos encontramos pra nos conhecermos mais " intimamente ". Estava com fome e perguntou se tinha algum restaurante por perto. Me ofereci pra ir pra cozinha... rs. Preparei um jantar bem nutritivo pra ele...kkk. E falava, falava e falava... Eu atentava ele pro fato da comida estar esfriando. Esbravejou e pediu pra deixar ele falar... comédia... :) Até na hora H as diferenças eram consideráveis. Mas nos entendemos, a tempo de salvar a noite. Foi algo memorável. E depois, pipoca, conversamos mais... e dormimos juntos : na minha opinião, a maior intimidade possível é dividir uma cama. Outro detalhe : era domingo e no dia seguinte eu teria que acordar cedo. Rs.
Fez questão de sair junto comigo. Sabia da dificuldade dele em acordar cedo... e fiquei morrendo de pena de acordá-lo. Estava tão lindo dormindo, em paz. Demorou um tempo até levantar. E com o mau humor do ascendente em Capricórnio à toda prova ( sic ). Nos despedimos, com a certeza de que foi uma ótima noite.
Pra variar, ele queria espaço. Tinha o costume de sumir uns dias. Dizia ter fobia social. Eu procurava respeitar. Mas passei tanto tempo namorando alguém que era frio e ausente, que meio que me acostumei. Só que eu não queria mais pessoas assim. Gosto de ter alguém por perto e daquela dose diária de afeto. Preciso !
Nos encontramos uma terceira e última vez. Acabamos nos desentendendo. Ele foge das conversas que gerem conflito e se esquiva. Eu já procuro por elas : como bom filho de Marte, gosto do combate. Ele se deu conta que eu estava sempre segurando meu ímpeto pra não afugentá-lo. Não estava sendo eu mesmo. Acabamos nos afastando. Na hora de ir embora, o clima estava ruim, mas ele me deu um abraço bem carinhoso na hora de ir embora. Sempre me surpreendendo.
Voltei ao local do primeiro encontro, em um dia triste. Patético e poético, mas foi a forma que encontrei de me despedir dele. Acabei me apegando e pra não juntar mais uma mágoa, me permiti digerir esta frustração, de uma vez.
Tivemos uma última conversa, na qual eu desabafei com ele, sendo cem por cento sincero. Ele disse que eu sou obcecado pela verdade, a ponto de querer ouvir certas coisas desnecessárias, de tão óbvias. Falei que eu prefiro assim. Que cansei de ser tratado como criança e de pessoas que omitem as coisas, tentando ser legais comigo.
Fez questão de dizer que meu sarcasmo irritava demais ele. Confessei ser um mecanismo de defesa, meio que instintivo. E a " DR Finale " rendeu.
Foi um diálogo longo, de quase duas horas. Reconhecemos os momentos bons e resolvemos seguir em frente, com a certeza de que valeu a pena ter tentado. Uma boa lembrança e um ótimo aprendizado.
Eu nunca soube a hora certa de enterrar meus mortos. Ultimamente, me vejo obrigado a fazê-lo. O cheiro da carne apodrecendo se tornou insuportável.
Não cheguei ao nível de sabedoria suficiente para suportar a morte. Tenho muito medo dela. Não da minha morte, já foi tempo... mas da partida das pessoas que eu amo. Tenho medo de entrar em parafuso, por simplesmente não aceitar.
As mortes que eu vivencio atualmente são simbólicas. Sentimentos que morreram ou estão em coma profundo. Tenho dificuldade em me afastar das pessoas que eu já amei. Hoje, sinto como se me assombrassem, como fantasmas.
A solidão incomoda, não há como negar. Por mais que eu não me sinta mais envergonhado por estar sozinho, as lacunas que meus últimos relacionamentos preenchiam estão expostas. Me refiro às limitações psicológicas, físicas e sentimentais. Pequenas poeiras que eu preferia colocar pra debaixo do tapete quando eu estava comprometido, hoje me fazem espirrar.
Pequenas demonstrações de reconhecimento e afeto, ainda me confortam. Minha ex Nº 1 me ligou outro dia, dizendo que ainda me ama... que queria ter casado comigo e etc... Atualmente ela é casada e tem uma filha de 2 anos. Minha ex Nº 2, me disse recentemente que se tivéssemos continuado juntos teríamos " conquistado o mundo " juntos. Casou, separou e tem uma filha de 1 ano. Minha ex Nº 3 , por sua vez, reconheceu que eu fui a pessoa mais próxima dela até hoje, depois do pai , que faleceu ano retrasado. Ela assumiu que eu a conheço mais do que ninguém. São palavras, eu sei... mas de que adiantam ? É um conforto momentâneo, apenas.
Dos três garotos que namorei, não obtive reconhecimento algum. Pelo contrário, apenas ingratidão e indiferença. O silêncio de um, em especial, me assombra... por eu ter errado e não ter tido a chance de me redimir. A naturalidade de outro, em contrapartida, me dá náuseas... por ter sido o que mais recebeu e o que menos deu em troca. Por essas e outras, eu desisti de procurar por justiça. Ela não existe nessas horas. As coisas acontecem e ponto final.
Me resta agora tentar enterrar os mortos a tempo de ainda viver. E que os vivos não paguem por algo que não tem culpa.
Estou apático, ultimamente. Reflexo da convivência com pessoas com esta características nos últimos tempos. Parece que estou, aos poucos , me desapegando de tudo... e não sei se esse caminho tem volta.
" Aquele que luta com monstros deve acautelar-se para não tornar-se também um monstro. Quando se olha muito tempo para um abismo, o abismo olha para você. "
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