13 novembro 2013

Escorpiana


Caminhando pelo Campo de Santana, no Centro do RJ, tive um dos meus deja vus rotineiros. 

Quatro anos se passaram e eu lembro, como se fosse hoje.
Eu, com 23 anos e ela, com 20.
Preferi o caminho da verdade, mesmo que tardiamente.
E foi melhor assim.

Não foi nobreza nenhuma da minha parte... confesso que não.
Não deveria ter tentado ? Hmm... não me arrependo.
Talvez tivesse feito o mesmo, hoje em dia.
Tentaria.

Ela era demais.
Continua sendo...
Ainda nos falamos.
A vida deu voltas...

E de vez em quando relembramos nosso restinho de inocência...
O deja vu trouxe junto um turbilhão de lembranças boas.

Ela dormindo no meu ombro no ônibus, de forma extremamente tranquila.
De me convencer a buscá-la em casa, da maneira mais carinhosa possível.
Aquela voz hipnotizante, que conquistava até os clientes do meu trabalho.
A única que conseguiu agradar minha família.

Os abraços longos, de despedida.
As risadas, as longas ligações telefônicas, mesmo nos vendo todos os dias no trabalho.
Conversávamos sobre tudo.

Era difícil não se sentir responsável por ela.
Entrou na minha vida e eu só queria protegê-la
Merecia tudo.
Eu não tinha maturidade.

Não nos vemos há uns 3 anos.
As conversas continuam ótimas.
Num dia desses, voltando da faculdade, nos falávamos por telefone.
E do nada, começamos a cantarolar  " Teatro dos Vampiros ".
Ela cantando, no outro lado da linha...
Em uma rua deserta...
Cantava feliz !

Difícil me perdoar por tê-la feito chorar.
Eu terminei o namoro e fui embora.
Colocou os óculos escuros.
Fingi estar seguro do que queria.
Atravessei a Presidente Vargas e continuava observando.
O que eu fiz ?

" Gostaria de ver o nosso fracasso
Cara a cara um dia
Detalhando sua pessoa,

Definindo os seus contornos... "




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