Vou sentir saudade dessa pracinha, das horas de almoço.
O meu local de trabalho vai mudar. Nove meses convivendo com esse bairro e já considerei como minha segunda casa. Aquela rotina de almoçar e ficar na pracinha, depois, lendo um livro e pegando o sol da tarde. Coisa de velho mesmo...
Acabei mais um livro e peguei o próximo da fila : O Arroz de Palma.
Há quase dois anos atrás, quando fui a MG, Margot deu de presente esse livro pra Elian. Bratz pegou pra ler e gostou. Acabou me presenteando com um exemplar, há uns meses, quando veio ao RJ. Perguntei a várias pessoas, o motivo pelo qual eu gostaria desse livro. Fiquei sem respostas. Resolvi ler.
O livro, até onde li, é um relato de um idoso sobre relações familiares. O título fala de " Palma ", que é uma tia carinhosa e muito simples. O narrador fala dela com uma enorme saudade. Acho que todo mundo tem uma parente assim.
Eu tenho. É minha tia- avó. Tia do meu pai. Ela sempre se doou pra família , abdicando do seu próprio conforto. É um dos poucos parentes meus que se mantém próximo. Tenho um enorme sentimento de gratidão para com ela. Recentemente levei-a ao Jardim Botânico e ela se sentiu como uma adolescente, aos 70 anos.
Quanto mais eu lia o livro, mais eu tinha vontade de rever minha tia. Faltava pouco tempo pra acabar meu horário de almoço. Resolvi ligar pra ela. Perguntei se estava tudo bem. Ela estava costurando. Desde que eu era criança, eu nunca vi ela ficar sem trabalhar. Um dia sequer. É aposentada, pensionista federal e não ganha mal. Mesmo assim, não pára pra descansar. Cuida de mais de vinte cachorros e nem cama tem em casa.
O livro também fala da particularidade de cada família e faz uma analogia com temperos culinários.Parei pra pensar. Eu peço " bença " pra minha tia. Ninguém nunca me exigiu isso. É de tanto ver meu pai respeitá-la, desde pequeno, que eu me acostumei. Ela ficou toda boba com a minha ligação.
Acho que agora entendi o motivo do Bratz em me dar esse livro.


8 Comments:
Bacana a atitude. Sempre bacana dispensar atenção a quem merece de verdade.
Bem, vc fez o tinha dentro de vc para ser feito e fez bem. Além de louvável isto te fez sentir bem. Mais à frente, um dia qualquer, vc vai lembrar deste livro e vai ter vontade de reler. Aí vc já terá mais tempo de vida e mais histórias pessoais para relembrar e verá como isto é bom.
Beijão
ps: agora, sentar na praça para tomar sol nem eu com meus quase 64 anos ainda faço ... OMG! kkkk
existem tantas formas de amor não é? este amor que tem por sua tia é muito bonito, eu tive tias ótimas! aproveite este contato pois depois sentimos falta! mas me conta... ela "não tem cama em casa"?
Ela dorme juntando 3 cadeiras e faz de cama ! Acreditem... rs
Qual o problema de ficar na praça pegando um sol ? Ainda vou com a boina... kkkk
#jovemsenhor
Bacana a dica....
Mudanças de inicio gera um certo desconforto....prepare...
Abraços!
Que bom que o presente dado ao Elian e aproveitado pelo Paulo, lendo e presenteando, foi apreciado. Amo o livro e sempre que posso dou uma relida em algumas partes.
Palma foi importante naquela familia e por mais que seja difícil para alguns de nós, no relacionamento familiar, existe sempre uma pessoa ou duas, que nos traz um sorriso aos lábios quando nos lembramos dela.
Curta sua Palma...ela poderá ser um presente da vida pra voce.
Beijos
Acho bonita a sua atitude. Aprendemos com as pessoas mais velhas. São um poço de sapiência e pedem tão pouco de nós. Um pedaço da nossa atenção. :)
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