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Me impressiono com a quantidade de lugares que já trabalhei, em 30 anos de idade. Cada lugar com sua particularidade, me lembro muito bem.
As pessoas marcaram minha história nestes lugares, assim como as rotinas que eu levava me definiram ao longo do tempo. Às vezes bate saudade de certas manias que não voltam mais.
Eu comecei trabalhando com vendas de livros em escolas. Aprendi a chegar em muitos lugares, com meus 16 anos de idade. Perdi um pouco a timidez e conheci algumas pessoas legais. Mas nada disso foi mais marcante do que pela primeira vez sentir o valor do dinheiro, quando vindo do meu esforço.
Aos 18, já com carteira assinada, encarei o desafio de um comércio varejista. Foram quase 4 anos de aprendizado e conquistas. Eram tempos de descoberta e de energia sobrando pra trabalhar. De tão marcante, meus primeiros amores ( correspondidos ) saíram de lá. A primeira garota e o primeiro garoto.
Aos 23, resolvi arriscar com vendas por telefone. A jornada de 6 horas era atraente, mas o salário era medonho. Foi bom pra perder um pouco da timidez na voz e testar o charme que transbordava nessa fase... a ponto de uma garota terminar um namoro pra ficar comigo. Foi também meu primeiro emprego no Centro da cidade. Um convite ao caos.
Aos 24, ingressei em uma empresa de energia elétrica. A melhor que trabalhei, até ali. O ambiente era ótimo e a jornada era de 6hrs por dia. Meu gênio indomável não me permitiu prosseguir na empresa. Não me conhecia o suficiente a ponto de saber me controlar. Foi uma demissão dolorida. A pior de todas. Até hoje tenho contato com muitas pessoas desta cia, em que fiquei por quase 2 anos. Naquela localidade, havia uma torta de limão divina...
Já aos 27, eu comecei na área administrativa, que eu tanto queria. Uma empresa de construção civil, bem pertinho da minha casa. Lidava com a " peãozada ", incluindo pedreiros, mecânicos e até mesmo engenheiros. A rispidez vinda deles era algo notório, mas que eu lidava com uma naturalidade impressionante. Por que será ? Com o tempo, o clima por lá ficou ruim, por conta de inveja de pessoas da sede. Mas sinto falta de trabalhar a 15 minutos de casa e de poder fazer a feira no horário de almoço ( o comércio na rua era ótimo e barato ).
Depois disso, aos 29, fui trabalhar em um escritório na Rua Uruguaiana, no Centro. Fiquei apenas um mês, mas gostei bastante das pessoas. Gostava de ver a vista do Largo da Carioca olhando por cima. Após o almoço, sempre uma casquinha de sorvete, sentado no banquinho da rua... observando o movimento frenético da cidade.
Na empresa atual, eu fui atraído pela fama de ser uma das maiores do nosso continente no ramo que atua. Mas o fato de poder trabalhar em Vila Isabel e fugir um pouco do " fervo " do trânsito me atraiu bastante. Foram 8 meses tranquilos, de certa forma, em que consegui me adaptar. Quando fui obrigado a trabalhar na zona sul do Rj, a coisa desandou. Passei a perder muito tempo no translado, o que drenou minhas energias. E o pior : Mudar de local por puro capricho de algumas pessoas. Mesmo assim, a Zona Sul tem lá o seu charme. Vou sentir falta de algumas pessoas, do restaurante mexicano, do horti fruti logo em frente ao trabalho, de poder chegar em Ipanema em 10 minutos, da Livraria da Travessa ( onde eu passava o restinho da hora de almoço ) e dos sacolés de amendoim de uma senhorinha ali da localidade. Não sentirei falta do barulho e de ter que trabalhar aos sábados.
Ao que tudo indica, semana que vem estou partindo pra novos ares. Outra empresa, outras pessoas, outros desafios. Novas perspectivas e a esperança de dias melhores.
6 Comments:
Você não pára, Douglas.
Também tenho saudade de trabalhar a 10 min de casa. Hoje trabalho a 45min o que é um desperdício de tempo.
Mas no final tenho saltitado pouco. Comecei com 3 empregos de meio ano, um estágio e dois períodos lectivos como prof e depois ingressei na indústria com 3 empregos de 5 anos cada. Está na hora de mudar!!!
boa sorte e sucesso queridão ...
Boas energias para você nessa nova empresa, que de tudo certo!
Nick
Obrigado, queridos. Bom final de semana.
Sempre bom relembrar o passado.
Ao ler cada trecho, eu viajei te imaginando nestes empregos (saudades de suas histórias na época em que você compartilhava, e ficávamos horas no telefone).
Torcendo para que esta mudança seja positiva e que tudo dê certo...
Grande abraço!
Não dizem que parar é morrer? Bola para a frente!
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