12 julho 2014

Decidido




Quero te ver !
Eu sei que foi algo repentino... mas eu quero. Se arruma aí... te encontro daqui a uma hora e meia. Sei, mas você não quer me ver ? Ah... tá... então se arrume e vá me encontrar.

Huum... chegou junto comigo. Que lindo. Vamos ao mercado ? Preciso comprar umas coisas. Reclama que peguei dois Trakinas de morango, mas é inevitável. Adoro aquele gosto azedinho. Escolha umas pêras pra mim, amor... mas bem amarelinhas, sem manchas. Não vai querer nada pra você ? Hum... era de se esperar.

Nossa, que barulho tá isso aqui. Forró, gente feia e bêbada... e tem quem não acredite em inferno. Nos restou ir ao Mcdonalds. O que vai querer, amor ? Sorvete ? Mas não tá reclamando de gripe? Sanduíche de frango ? Ok... vou provar esse tal Frapê Mocha Ovomaltine.

Wow. Gostei. O seu tá bom ? Eu sei que é caro, meu príncipe...  mas é mais pela marca do que qualquer coisa. Você tá pegando todo o creme da minha bebida. Hunf. Tá, pode pegar... Te amo.

Um espectro se aproxima. Não tenho, camarada. Você quer a minha bebida ? Claro que não. Que estranho. Segurança zero nesse lugar. Preciso estar um passo a frente caso esse espectro esteja no lado de fora, irritado com a própria existência. Não tenho culpa. Fique longe de mim... não sabe do que eu sou capaz.

Droga... mas e quando meu príncipe estiver sozinho ? Maldição... não posso ser surpreendido por um ser tão rudimentar. Se eu fosse um espectro, o que eu faria ? Não, ele não faria isso. Deve estar drogado.

Vejo tudo envolto em uma névoa vermelha. Meu amor pega minha mão e diz que nada vai acontecer... pra eu terminar minha bebida. Esboço um sorriso, um tanto quanto tenso. Já está tarde. Vamos ?

Vá com cuidado. Me ligue quando chegar. Atravesso a rua e dou meia volta. Fui atrás dele. Interessante, desta distância a minha visão está ampliada e os espectros podem achar que ele está desprotegido. Estou aqui, malditos. Mas como é longe esse lugar pra onde ele vai. 

Meus pés doem, mas sou mais forte que essa dorzinha. Isso não é hora pra ter fraqueza.

Droga. A dor me fez perdê-lo de vista. Onde ele está ? Achei. Estava na farmácia... Diz que não precisava e que estava tudo bem. 

A sensação de dever cumprido vem, juntamente com uma chuva torrencial. 

Me molhe, eu não ligo. 


Ele está a salvo.
A chuva gelada desse final de outono lava o suor deste ser.
O inverno se aproxima.




6 Comments:

Ro Fers said...

Quando amamos, sentimos esta necessidade de proteção....
Bacana sua atitude e diante de qualquer perigo, modere sua ação....
abraços

Wildeman said...

Bom ter botado o papo em dia no telefone com vc, cara...

Paulo Roberto Figueiredo Braccini - Bratz said...

Como assim? Eu quero! Te arruma aí!

Ah! se fosse comigo!

Hummmmm!!!

Wildeman said...

Se fosse você, ia rapidinho. Do jeito que anda fácil... kkk #prontofalei

Wildeman said...

#Bratz Pagava até o lanchinho.

Edilson Cravo said...

Douglas:

Amar é cuidar do outro, faz parte.
Parabéns por ser assim meu amigo.

Beijo.

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