05 dezembro 2014

Sobre dias de fúria


Pelo menos duas vezes ao mês, eu tenho uns dias daqueles. Sim... daqueles que eu me pergunto o por quê ter saído de casa ou levantado da cama.

Calor do kct no RJ, trânsito, 39 graus. O maldito ônibus enguiça na Avenida Brasil, perto do Cemitério. Lá vamos nós sair e pegar o próximo, em pé, com o dobro de gente. Chego atrasado no trabalho.

No intervalo, vou pedir um suco. A fila não anda, de jeito nenhum. As pessoas são indecisas até pra escolher um lanche. Gente, não é a compra de uma casa ou a decisão sobre a carreira : é um simples e maldito lanche ! Podem ser mais breves ?

Na volta, o elevador quebra. Escada, nesse calor.

Metrô na volta, sem ar condicionado. Povo derretendo.

Médico marcado, cheguei 8 minutos atrasado. Ele se recusou a me atender ! Como assim ? Já cheguei diversas vezes na hora marcada e esperei uns 15 minutos ! A piranha da recepcionista diz que são as " regras dele ". Cara, que vontade de ter uma bazooka, que o próprio Michael Douglas usou em " Um dia de fúria ", ou mesmo aquela metralhadora do Al Pacino em " Scarface ". Seria perfeito.

Não satisfeito, um amigo resolve desabafar sobre um amigo dele que se afastou e que não deixou o motivo bem claro. Veio pedir minha opinião. Escolheu um péssimo dia. Descasquei.

Passo no mercado, pra comprar um sorvete. Me deparo com uma fila enorme e parada. Aquelas mulheres gordas, no caixa, parecendo dopadas. E ninguém grita, ninguém faz nada. Esperam, como se tivessem todo tempo livre do mundo !

Chego em casa e minha mãe pede pra eu ligar pra Tim, pra reclamar da conta dela. Gostaria de encontrar cada atendente da Tim, com sotaque, pessoalmente.

Essa cena é libertadora. Resume minhas vontades nesses dias.



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