06 novembro 2014

Dois anos do aprendizado da sereia...


Uau... o tempo voa. No último dia 2/11 fez dois anos do conto da sereia, só que na vida real. Um baque que me fez acordar pra vida, rendendo inclusive este conto. 

Quem me conhece há mais tempo, sabe como fiquei...

Decidi reformular o post e colocá-lo aqui.



 Era uma vez um marujo. Era respeitado e tinha seus afazeres, direitos e deveres. Tinha o suficiente pra viver bem e até um pouco mais. Mas foi levado pela ilusão da vaidade.

Com o passar do tempo, os afazeres do navio foram aumentando e se tornando mais árduos, devido às tempestades que afetaram seu casco. Isso causou o descontentamento do marujo vaidoso, que passou a almejar dias melhores e fora do navio.

Uma sereia, de mares distantes, notou a insatisfação do marujo. E lhe ofereceu a solução para seus problemas. Prometeu riquezas, um novo navio, exclusivo para ele e um reconhecimento maior por seus afazeres. O marujo ficou tentado a acreditar na sereia, mas não o fez de imediato.

Para o vaidoso, o caminho mais fácil seria aceitar a proposta da sereia. O navio estava afundando e o marujo se recusava a afundar junto.

O navio estava afundando, com uma cratera em sua estrutura principal. O marujo ao pegar um balde para ajudar a tirar a água, avistou a sereia, de longe, acenando para ele. E resolveu ir. Achou que era forte o suficiente para ouvir o canto da sereia e não sucumbir à ilusão que ele criava. 

Ele estava, enfim, ao lado da sereia. Parecia que todos os seus problemas, sofrimentos e angústias haviam terminado ali. Tudo era perfeito, mágico neste dia. Até o céu parecia mais azul.

Ele, que achava que nunca teria a sereia ao seu lado. Muitos duvidavam que isso fosse possível, talvez por isso a vontade do marujo tivesse aumentado. Nosso protagonista planejou vários momentos com a sereia, na afã de aproveitar o momento de êxtase.

Acenou para todos, ao lado da sereia, demonstrando que estava feliz. E foi se afastando cada vez mais da terra, em direção ao mar. 

Em 24 horas, ele se sentiu dono dos sete mares. Não enxergava nada além da sereia. 

A sereia demonstrava que não precisava tanto do marujo, quanto ele precisava dela. Fez suas vontades, bajulou- o. Fez com que ele se sentisse único. E quando ele menos esperava, ela partiu. Disse que precisava procurar alimentos no fundo do mar. Prometeu que voltaria na manhã seguinte.

O marujo não teve alternativa. Não queria deixá- la ir. Mas ela era livre e conhecia o mar. Mesmo triste, despediu- se dela.

- Até logo, sereia.
e abraçou- a.

Passou a noite contando as horas para vê-la. O sol apareceu, mas a sereia, não. Olhou para os lados e não sabia nem onde estava. Estava em uma pequena canoa, sem alimento, sem água potável e naquele momento, sem esperanças.

Gritou desesperado pela sereia. Ela não ouviu. Estava longe de seu alcance. Não precisava do marujo para nada e não tinha pressa para voltar.

O marujo chorou, ao mesmo tempo que caía uma tempestade. Ondas gigantescas e trovões ameaçavam a pequena canoa. Sua vaidade o colocou em perigo. Ele daria tudo para estar no navio, onde ainda tinha serventia. 

A canoa virou. Ele se viu afundando no mar. Havia desistido de tudo. Sabia que caiu em uma ilusão, por pura ingenuidade. Perdeu os sentidos. Achou que havia morrido.

Acordou dentro do navio. 

Depois disso, o marujo avistou várias outras sereias.  Mas agora sabe que o lugar delas é no mar. E o dele... é no navio. 

Enfim... respeitar o mar é preciso !


Bom, pessoal... depois de dois anos, pude tirar conclusões mais apuradas desse caso. A beleza ilude demais e piora quando somada a idealização do ser ideal. Essa pessoa não existe. Em nossas vidas aparecerão muitos que se parecem perfeitos, vistos de longe. De perto, ninguém é normal. Foi uma " molecagem " fora de época que me permiti e que acabou com dores pra todos os lados. Mas lembrarei pra sempre dessa loucura, que me fez despertar para um novo jeito de ver a vida. 

Por incrível que pareça, estive trocando emails com a sereia, recentemente. Mas não faz o efeito de antes. 

3 Comments:

Paulo Roberto Figueiredo Braccini - Bratz said...

Eu te avisei né? Sereias são lendas ...

Wildeman said...

Pior que é verdade.

dilita said...

Vim recuando lendo devagar como eu gosto, e cheguei até aqui.
Gostei sobremaneira deste post da sereia. (tentadora...)
"ficaria contente se fosse eu a escrever esta estória."
De Portugal, um abraço.
Dilita

Tecnologia do Blogger.